Invasões avançam no Brasil
Thiago Lima
Thiago Lima
| 18-08-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
Um novo banco de dados revela a dimensão da presença de espécies não nativas invasoras no Brasil.
O levantamento reúne 187.160 registros georreferenciados de 489 espécies de animais, plantas e algas encontradas em ambientes terrestres, de água doce e marinhos, incluindo ilhas brasileiras.
O trabalho foi publicado na revista Scientific Data, da Nature, em outubro de 2025, e reúne informações que podem ajudar a monitorar essas espécies e orientar medidas de conservação.

Um levantamento nacional

O banco de dados foi criado a partir de um esforço em escala nacional para reunir, padronizar e validar registros da ocorrência de espécies não nativas invasoras em diferentes regiões do Brasil. As informações foram obtidas de órgãos ambientais federais e estaduais, bancos de dados nacionais e internacionais e publicações científicas.
Os registros foram revisados e validados por especialistas durante consultas realizadas em âmbito nacional e estadual entre 2021 e 2024.
O trabalho fez parte do projeto Pró-Espécies: Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas, voltado ao fortalecimento das ações de conservação da biodiversidade e à gestão de espécies invasoras.
Invasões avançam no Brasil

Dados de diferentes ambientes

O levantamento abrange todo o território brasileiro em ambientes terrestres, de água doce e marinhos. Também foram incluídas as ilhas oceânicas do país. Dos 187.160 registros, 166.773 correspondem a ocorrências em ambientes terrestres. Outros 18.823 registros estão relacionados a ambientes de água doce, enquanto 1.564 foram identificados em ambientes marinhos.
Cada registro contém informações padronizadas sobre a espécie e sua localização. O banco inclui dados taxonômicos, coordenadas geográficas, município, estado, data da ocorrência, habitat, fonte da informação e indicadores relacionados à precisão da localização.

Como os registros foram verificados

Para construir a base, os pesquisadores utilizaram diferentes fontes de informação. Entre elas estão consultas a órgãos ambientais, bases de dados sobre biodiversidade e publicações científicas revisadas por especialistas.
Os cientistas também utilizaram dados da plataforma GBIF, recuperados em 4 de agosto de 2021. Foram mantidos apenas registros com referências geográficas válidas ou informações detalhadas que permitissem verificar a localização.
Quando um registro não apresentava coordenadas, mas continha informações suficientes sobre o local, os pesquisadores fizeram verificações e correções utilizando bases do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e ferramentas de mapas. Registros incompletos ou que não podiam ser verificados foram excluídos.

Peixes ornamentais também aparecem

As consultas públicas e o contato direto com especialistas ajudaram a ampliar significativamente a quantidade de informações disponíveis. Entre os novos registros, os pesquisadores destacaram dados relacionados a peixes ornamentais.
O comércio de peixes ornamentais pode contribuir para o estabelecimento de espécies não nativas quando animais escapam de instalações de criação ou são soltos em ambientes naturais. Dados mais recentes também foram incorporados a partir do trabalho de especialistas envolvidos na elaboração de listas de espécies invasoras nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
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Uma ferramenta para conservação

A base não foi criada apenas para registrar onde as espécies invasoras foram encontradas. Segundo os pesquisadores, ela pode ser utilizada em avaliações de risco, monitoramento, elaboração de políticas públicas e planejamento de ações de conservação no Brasil.
Os dados também podem ser aplicados em modelos de distribuição de espécies, sistemas de detecção precoce e resposta rápida e ferramentas de definição de áreas prioritárias para conservação. O formato padronizado ainda facilita a integração das informações com diferentes sistemas de pesquisa e monitoramento da biodiversidade.

Um problema que exige monitoramento

A invasão por espécies não nativas é considerada uma ameaça importante à biodiversidade, especialmente em um país megadiverso como o Brasil. Ter informações precisas sobre onde essas espécies estão presentes é fundamental para compreender sua distribuição e planejar ações de controle.
O banco de dados também pode ser atualizado à medida que novos registros sejam identificados e validados. A própria pesquisa destaca que novas consultas e contribuições de especialistas acrescentaram informações ao levantamento, mostrando que o conhecimento sobre a distribuição dessas espécies continua em expansão.

Um mapa em constante mudança

Ao reunir quase 190 mil registros e centenas de espécies em uma única base, o estudo oferece uma visão ampla da ocorrência de espécies invasoras no Brasil. A distribuição registrada em ambientes terrestres, de água doce e marinhos mostra que o fenômeno não está restrito a um único tipo de ecossistema.
Mais do que uma fotografia da situação atual, o banco de dados foi desenvolvido como uma ferramenta que pode apoiar novos estudos e decisões de conservação. Com a entrada de registros adicionais e a validação contínua das informações, os pesquisadores poderão acompanhar melhor a presença e a expansão das espécies invasoras no território brasileiro.