Câncer de estômago
Amanda Fernandes
Amanda Fernandes
| 17-08-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
Tradicionalmente associado ao envelhecimento, o câncer de estômago está começando a apresentar um perfil diferente.
Uma pesquisa internacional identificou aumento da incidência da doença entre adultos jovens, ao mesmo tempo em que os casos vêm diminuindo entre pessoas mais velhas em diversos países.
O câncer gástrico é atualmente o quinto tipo de tumor mais frequente no mundo, com quase 1 milhão de novos casos por ano. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a doença ainda costuma ser descoberta em estágios avançados, o que reduz as chances de cura e contribui para as altas taxas de mortalidade.

O que mostra a pesquisa

Os casos estão aumentando entre pessoas mais jovens.
Os pesquisadores analisaram dados de 2003 a 2017 reunidos pelo GLOBOCAN 2022, que reúne informações de 185 países. Embora a incidência tenha caído de maneira geral, houve aumento em países como Nova Zelândia e África do Sul, além de regiões da Europa e das Américas. Também foi identificada uma tendência de crescimento entre as mulheres.
Em 2022, foram registrados cerca de 968 mil casos de câncer de estômago no mundo. O Leste Asiático concentrou quase 54% dessas ocorrências e 48% das aproximadamente 660 mil mortes relacionadas à doença.
O levantamento também chama atenção para uma mudança geracional. Pessoas nascidas nas décadas de 1980 e 1990 apresentam taxas significativamente maiores da doença em comparação com gerações anteriores, segundo o oncologista Roberto Pestana, do Einstein Hospital Israelita.
Câncer de estômago

Por que os casos aumentam entre jovens?

Fatores ambientais, metabólicos e comportamentais podem estar envolvidos.
Algumas condições hereditárias, como o câncer gástrico difuso hereditário e a síndrome de Lynch, são mais comuns entre pacientes jovens. No entanto, elas respondem por apenas cerca de 3% dos casos.
A maior parte das ocorrências é esporádica e parece estar relacionada a mudanças comportamentais, ambientais, alimentares e metabólicas. Entre os possíveis fatores estão o aumento da obesidade, o refluxo gastroesofágico, alterações na alimentação e mudanças no microbioma do estômago.

H. pylori continua sendo um fator importante

A bactéria está ligada à maioria dos casos de câncer gástrico não cárdia.
A infecção pela bactéria Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori, continua sendo o principal fator de risco conhecido para o câncer gástrico. Ela está associada a aproximadamente 90% dos casos do tipo não cárdia, que se desenvolve na região próxima à transição entre o esôfago e o estômago.
Estudos indicam que eliminar a bactéria pode reduzir em 40% a 50% a incidência desse tipo de tumor.
A redução dos casos entre pessoas mais velhas e em vários países asiáticos nas últimas décadas está relacionada, entre outros fatores, à melhoria das condições de higiene e ao desenvolvimento socioeconômico.
Mudanças na alimentação também tiveram papel relevante, especialmente a redução do consumo de sal e a melhora na conservação dos alimentos, além do maior acesso ao diagnóstico.

Doença pode ser mais agressiva em jovens

O diagnóstico tardio é uma preocupação.
O aumento dos casos entre adultos jovens cria novos desafios para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento. Segundo Roberto Pestana, os tumores de início precoce podem apresentar características biológicas próprias e frequentemente ter comportamento mais agressivo.
Como o câncer gástrico ainda não é uma das primeiras suspeitas quando pacientes jovens apresentam sintomas, muitos casos acabam sendo identificados apenas em estágios avançados.

Quais são os fatores de risco?

Além da infecção por H. pylori, outros fatores associados ao câncer de estômago incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação rica em produtos processados e obesidade.
O histórico familiar, algumas síndromes genéticas hereditárias e a infecção pelo vírus Epstein-Barr também estão entre os fatores de risco conhecidos.
Câncer de estômago

Como reduzir o risco

Prevenção passa por hábitos saudáveis e atenção à H. pylori.
A identificação e o tratamento da infecção por H. pylori continuam entre as principais estratégias de prevenção do câncer gástrico.
Também é recomendado evitar o tabagismo, reduzir o consumo de álcool, controlar o peso corporal e manter uma alimentação saudável.
A mudança no perfil etário da doença, com aumento da incidência entre pessoas com menos de 50 anos, reforça a importância de compreender os novos fatores associados ao câncer de estômago e de ampliar a atenção ao diagnóstico precoce.